uva carmenere da frança para chile

Uva Carménère: de Bordeaux para os vinhos chilenos.

A uva Carménère é originária de Médoc, região de Bordeaux, na França, mas está tão associada ao Chile que podemos dizer que ela se “naturalizou” chilena. Por mais de um século ela foi dada como extinta. Depois de redescoberta, nos anos 1990, foram os vinhos chilenos que compreenderam de forma tão maravilhosa essa casta francesa.

A redescoberta da Carménère ou Grande Vidure

A presença de vinhedos em território francês conta milhares de anos. Na época do Renascimento (séc XIV) existiam duas castas muito usadas na produção dos vinhos: Vidure e Grande Vidure – essa segunda considerada bem maior que a primeira.

Ao longo das décadas, o nome da casta Vidure foi mudado para Carmenet ou Cabernet. Sua origem era o norte da França, terra dos chamados Francos, portanto ela ficou conhecida como Cabernet Franc. A Grande Vidure também teve seu nome alterado para Carménère, derivado de carmim, ou vermelho intenso.

A situação mudou radicalmente em meados da década de 1860, devido a devastadora crise da Filoxera – praga que assolou a Europa – quando os vitivinicultores tiveram que destruir suas vinhas e recomeçar os plantios a partir de mudas novas.

Apesar dos vinhos feitos com a Carménère serem bastante apreciados, as videiras possuíam um baixo rendimento. Isso fez com que ela fosse esquecida e substituída por outras castas.

Passou-se praticamente todo o século XX sem que ninguém ouvisse falar de seu paradeiro e a comunidade de enólogos, estudiosos e apreciadores a consideravam extinta.

Voltando um pouco na história, em 1800, navios com mudas de Merlot chegaram ao Chile. Em 1850, Christian Lanz criou a Viña CarmenCarmen em homenagem a sua esposa – na região de Alto Jahuel, no Vale do Maipo.

Viña Carmen chile
Viña Carmen no Chile.

Durante mais de um século, a vinícola acreditava que seus vinhedos eram apenas da casta Merlot, mas em 1994 o ampelógrafo francês Jean-Michel Boursiquot estranhou o fato de algumas plantas insistirem em frutificar tardiamente.

Levou suas folhas para exames e descobriu o improvável: era uma Carménère. As folhas de Carménère e Merlot são muito parecidas e um equívoco na escolha das vinhas, muitos anos atrás, fez com que a Carménère sobrevivesse em meio as videiras de Merlot.

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Vale do Maipo, Chile.

Foi um marco na história da vinicultura que ganhou as manchetes nos jornais mundiais.

Em 1996 foi o primeiro lançamento de um vinho após a redescoberta e o rótulo estampava: Grande Vidure.

Apesar da alegria geral, o nome Grande Vidure incomodava os europeus – principalmente a França – e anos mais tarde, após vários debates políticos, foi decidido que importações de vinhos chilenos que estampassem o nome Grande Vidure, seriam proibidas. Desde então, todos a chamam de Carménère.

O Chile vem trabalhando a relação da cepa com seu terroir de forma impressionante. Na França ainda é pouco cultivada, mas em outras partes do mundo como Friuli (norte da Itália), Califórnia, Nova Zelândia e Austrália resolveram investir na renascida casta.

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Ampelografia é o estudo e a classificação das partes das videiras, como caule, frutos e folhas.

Características da uva Carménère

A uva Carménère possui uma pele de coloração escura e sua principal característica é o amadurecimento tardio. Exige muito sol e um verão quente para mostrar todo seu potencial. Os vinhos reafirmam as cores marcantes e sabores intensos e costumam apresentar taninos mais suaves do que a Cabernet Sauvingnon. Frequentemente é usada em assemblages (mistura de variedades de uva na elaboração do vinho).

Harmonização

Quando elaborado com maestria, os vinhos varietais de Carménère possuem boa estrutura e a presença marcante de frutas vermelhas. Harmonizados com carnes vermelhas, churrascos ou assados em geral, proporcionam uma experiência gastronômica espetacular.

Agradecemos Jean-Michel Boursiquot pela curiosidade e perspicácia inerente aos cientistas e também ao maior protagonista dessa história toda: o acaso!

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doc vinho verde - região dos vinhos verdes

Vinho Verde é uma região, e não um estilo.

Ao contrário do vinho laranja, o vinho verde não é verde. Portanto, ele não é um estilo de vinho. Existem vinhos verdes brancos, tintos, rosés, e mais recentemente, espumante vinho verde. A confusão tem origem devido a uma tradição de vinificação que grande parte dos produtores de vinhos verdes prefere deixar no passado. Afinal, muita coisa mudou nos últimos 40 anos na região dos Vinhos Verdes de Portugal.

Vinho verde é uma região demarcada

Em 1908 os portugueses demarcaram a região do Vinho Verde que se transformou numa DOC – Denominação de Origem Controlada. Anos depois, em 1926, foi criada a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) para controlar a produção regional. Mas foi somente em 1986, com uma reformulação nas regras, tanto no cultivo das vinhas como na vinificação, que os processos de produção se tornaram mais rígidos.

A região do Vinho Verde fica no noroeste do país, na província do Minho. Possui muitas montanhas entrecortadas pelo rio Minho. O solo é arenoso formado por placas de granito desagregadas e contém alta acidez. Essa é a única no mundo que pode ser designada como produtora de vinho verde. Uma exclusividade aceita e registrada pela OMPI Organização Mundial da Propriedade Industrial em 1973, em Genebra.

Historiadores afirmam que os vinhos verdes foram os primeiros vinhos portugueses a serem exportados e reconhecidos fora do país. Isso aconteceu no século IX, principalmente pela Inglaterra.

região dos vinhos verdes de portugal
DOC – Denominação de Origem Controlada na Região dos Vinhos Verdes e suas sub-regiões.

A região do Vinho Verde está dividida em 9 sub-regiões: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Melgaço, Paiva e Sousa.

Uma observação interessante é que se uma vinícola quiser especificar no rótulo a sub-região em que o vinho verde foi elaborado, ela deve usar as castas recomendadas para essa respectiva sub-região.

Mas, por que verde?

No começo do texto falamos que os produtores gostariam de esquecer a origem do nome. Bem, primeiro vamos à versão oficial repetida por muitos e, convenhamos, tem sua originalidade. Os vinhos verdes possuem esse nome porque é a região mais verdejante do país. Com alto níveis de chuva e muitas árvores, a paisagem (realmente muito linda) se mostra como um manto verde sobre as montanhas e vinhedos.

Esse elogio se confirma – segundo a versão oficial – principalmente porque as vinhas das propriedades eram plantadas em simbiose com as outras plantas locais – em condução vertical da vinha – e com isso, formavam verdadeiros paredões verdes.

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Bela paisagem verdejante dos Vinhos Verdes.

Isso tudo é verdade, apesar que nos dias de hoje, com a modernização dos processos, os vinhedos não são mais cultivados dessa maneira.

Agora a outra versão. Não se pode negar que o nome vinho verde vem do fato da população local usar uvas ainda verdes na produção dos vinhos. Isso mesmo, as uvas não eram maturadas o suficiente antes da colheita. Essa verdade pode ser comprovada quando observamos a legislação portuguesa de 1946, que dividia os vinhos entre verdes e maduros. Ainda hoje, muitos agricultores usam essa terminologia para diferenciar vinhos.

Os vinhos elaborados dessa forma traziam muito frescor, muita fruta, alta acidez (devido ao ácido málico) e baixo teor alcoólico, pois os açúcares ainda não haviam se desenvolvido. Também não passavam por grandes estágios de maturação em barris, e por isso, eram refrescantes e fáceis de beber, sem grande complexidade.

Porém, a partir dos anos 1960 e 1970, os novos processos trouxeram mudanças benéficas para a região. Seus vinhos continuam tendo um frescor característico do terroir do Minho, mas os avanços os deixaram mais sábios. Hoje, além dos vinhos jovens, temos vinhos verdes mais elaborados, que fazem estágio em barris de carvalho antes de saírem das adegas.

Castas da região do Vinho Verde

As principais uvas dos vinhos verdes são autóctones, ou seja, nativas do país. São suas qualidades únicas que trazem aquela tipicidade tão admirada pelos amantes do vinho. Entre elas se destacam:

Alvarinho – considerada a mais nobre das uvas brancas de Portugal.

Loureiro – presente em quase toda a região do vinho verde, suas plantas costumam ter alto rendimento por hectare. Apesar disso, tem demonstrado uma qualidade superior.

Arinto – também chamada de Pedernã, essa casta tem uma característica cítrica muito apreciada nos vinhos feitos a partir de blends. Um corte tradicional do vinho verde é o blend entre  Arinto, Loureiro e Trajadura.

Outras castas brancas da região: Avesso, Azal, Fernão Pires, Trajadura.

Tintas: Amaral, Borraçal, Espadeiro, Padeiro e Vinhão.

casta alvarinho do vinho verde
A casta Alvarinho é considerada a mais nobre das brancas portuguesas.

Conclusão

Mesmo com a evolução dos vinhos verdes, o terroir dessa belíssima região de Portugal está cada vez mais presente. Como apreciadores de vinhos de todas as partes do mundo, resta-nos abrir a garrafa e nos transportarmos para as montanhas do Minho. E se nossa alma portuguesa falar mais alto, podemos nos aproximar desse querido povo, ouvindo um sucesso de 1977, interpretada por Paulo Alexandre (hoje com 85 anos) que homenageia o vinho verde.

“Vamos brindar

Com vinho verde que é do meu Portugal

E o vinho verde me fará recordar

A aldeia branca que deixei

Atrás do mar”

Música: Verde Vinho  •  Intérprete: Paulo Alexandre

Link do Youtube: https://goo.gl/XgnbcL

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Vinho Château Petrus: uma lenda insuperável

Ele é chamado pelos enófilos de Rei Petrus; um rei sem castelo. Na propriedade Château Petrus não há um château, apenas uma construção camponesa simples de dois andares. A vinícola produz somente um vinho, e se a safra não estiver no padrão exigido, simplesmente não se produz nada no ano. Um vinho que não possui uma classificação oficial, nem é rotulado como Grand Cru. Apesar disso, figura em todas as listas dos melhores do mundo e os seus preços alcançam às alturas em leilões. Como é possível? Apresentamos a história de uma lenda: o Petrus de Pomerol.

vinhedos no chateau petrus
Vinhas da casta Merlot no Château Petrus.

O boutonnière Pétrus e sua argila azul

Pomerol é uma sub-região de Bordeaux. Os vinhedos do Petrus estão localizados em um platô no lado oriental. Toda Pomerol é constituída de cascalho, argila e areia, mas a região do Petrus é única, pois é uma colina de argila. Normalmente um solo com essas características busca a estabilidade na direção mais baixa do terreno. Mas não é o que acontece com o Château Petrus.

Seus 11,5 hectares, a 40 metros do nível do mar, estão no coração do chamado boutonnière Pétrus ou botão Petrus. Um solo único formado por 3 camadas. A primeira de cascalho, a segunda de um tipo muito denso e escuro de argila com a presença de bastante matéria orgânica; e uma terceira de argila azulada. É essa última – somente presente na propriedade Petrus – que faz toda a diferença. Na mineralogia, esse tipo de argila é classificada como esmectita, e não há nenhum vinhedo no mundo plantado sobre um terreno semelhante ao dessa pequena região de Pomerol.

Os romanos a chamavam de petrus (rocha), pois quando seca, a argila é tão dura quanto uma pedra. Estima-se que tenha 40 milhões de anos. Outra característica única nessa argila azul é a alta concentração de óxido de ferro.

solo argila azulada de chateau petrus
O Botão Petrus – subsolo composto de argila azulada.

Sabemos que a argila é formada por minúsculos cristais granulados de origem rochosa. No caso do Petrus, a argila azul endurece de tal forma que as vinhas são impedidas de aprofundar suas raízes. Isso acelera a produção concentrada de frutos, que se beneficiam da alta umidade retida por essa argila. Aliada aos cuidados meticulosos com as vinhas, o resultado são uvas com altos teores de tanino e qualidades insuperáveis.

Se o Pomerol é conhecido por ser território da variedade Merlot, o Château Petrus é sua principal morada. Pela complexidade e exuberância alcançada, costuma-se dizer que o sonho de toda Merlot é se tornar um Petrus. Apesar disso, em algumas safras pode conter uma pequena porcentagem de Cabernet Franc (tipicamente até 5%).

Como já vimos anteriormente, um terroir é a soma de características locais combinadas. Em Bordeaux, os fatores mudam expressivamente em poucos hectares. A altitude, a drenagem natural feita pelos cascalhos, a capacidade de um solo argiloso de reter água, as luzes solares refletidas pelas rochas, entre outras qualidades, fazem da região um complexo ecossistema para a vitivinicultura. Nesse cenário, a argila azul do Petrus é mais uma benção de Baco.

A ascensão do Château Petrus

A fama mundial do Château Petrus elevou a pequena região de Pomerol ao mesmo nível dos produtores da margem esquerda mais famosa, a região de Médoc. Mas isso só aconteceu durante um passado bem recente.

A propriedade onde está o Petrus pertencia a família Arnaud desde 1770, mas sem grande destaque na produção de vinhos. Tudo mudou em 1863, com a crise da filoxera. Uma praga (pulgão) invadiu a França, possivelmente através dos navios vindos da América, e devastou grande parte das vinhas de Bordeaux.

Os vinhedos foram todos replantados, e em 1878, o Petrus chamou a atenção por ganhar a medalha de ouro no Concurso Internacional de Paris. Seu preço subiu e rivalizou com os melhores do Médoc.

Em 1917, a família Arnaud formou a La Société Civile du Château Petrus e as ações da vinícola foram colocadas à venda.

A viúva do Hotel Loubat de Libourne, a madame Marie-Louise Loubat, adquiriu algumas dessas ações e com o passar dos anos aumentou sua participação. Em 1940 tornou-se a única proprietária.

Como não tinha filhos, após sua morte em 1961, sua sobrinha Lily Lacoste-Loubat herdou a propriedade.

Nessa época, Lily formou uma parceria com o negociante de vinhos Jean-Pierre Moueix, na qual ele ficaria responsável por expandir as vendas. Com um mercado interno concorrido, Moueix se voltou ao crescente mercado americano. Isso ficou mais fácil após a extraordinária safra de 1945.

Em 1956, fortes geadas arrasaram os vinhedos, e ao contrário das vinícolas vizinhas, a decisão do Château não foi o replantio, e sim, um corte profundo nas plantas, com o objetivo de que as próprias se recuperassem. Após uma espantosa recuperação, as velhas vinhas  foram mantidas e renasceram mais fortes que nunca. Começou, então, o reinado do Petrus.

O vinho caiu no gosto do clã americano mais famoso da América, os Kennedys. John Kennedy, por exemplo, confessou que era um dos seus vinhos preferidos.

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O lendário Château Petrus, na região de Pomerol, Bordeaux.

No início dos anos 1960, o revolucionário Émile Peynaud prestou algumas consultorias para o Château Petrus, mas foi com a chegada em 1964, do enólogo Jean-Claude Berrouet que o trabalho ganhou consistência.

Em 1969 Moueix assume como principal proprietário e faz a aquisição do vizinho Château Gazin.

A fama do vinho atinge um patamar único no mundo dos vinhos quando em 1982, o renomado crítico Robert Parker classificou-o sucessivamente com notas altíssimas. Desde então, o Rei do Pomerol se tornou um vinho raro e muito caro.

Em 1987, aconteceu um fato curioso, para não dizer radical: após um verão extremamente quente, as chuvas vieram e trouxeram um excesso de umidade que comprometeria a qualidade das uvas. Foram chamados helicópteros (sim!) para sobrevoar a plantação e assim ajudar na secagem.

Como o Château Petrus produz apenas um vinho de altíssima qualidade, nos anos em que as frutas estão comprometidas, simplesmente não são produzidos vinhos. A última vez que isso aconteceu foi em 1991.

Em 2008, o filho de Jean-Claude Berrouet, o também enólogo Olivier Berrouet, então com 33 anos, assumiu a frente dos trabalhos e realizou diversas modernizações nas adegas do Château Petrus.

Após a morte de Jean-Pierre Moueix, em 2003, seu filho Jean-François Moueix herdou a propriedade, e junto com sua família, é o atual dono do Château Petrus.

Vinificação do Petrus

Os métodos de vinificação do Petrus não são diferentes de muitos outros produtores de Bordeaux. Mas o cuidado com cada detalhe, mostra a seriedade e a paixão na elaboração de vinhos excepcionais.

O Château Petrus foi pioneiro ao adotar a técnica de éclaircissage, quando no início da frutificação, alguns frutos são estrategicamente cortados para que a planta concentre suas forças nos frutos restantes.

A colheita é feita manualmente e os bagos cuidadosamente separados. Em seguida, uma parte do mosto vai para os tanques de concreto com temperatura controlada por 18 a 25 dias para a fermentação alcoólica. Depois dessa etapa, é feita a fermentação malolática e o processo continua apenas com a clarificação (o Petrus nunca passa por filtração).

O vinho, então, segue para uma maturação em barris de carvalho francês novos por 18 a 20 meses.

Os sucos rejeitados durante o começo da vinificação são vendidos como produtos simples de Pomerol, mas ninguém sabe muito bem para onde; este é um dos segredos mais bem guardados de Bordeaux.

A complexidade alcançada pelo Petrus é realmente impressionante. Os felizardos que já degustaram algumas das melhores safras, descrevem-no como dono de uma textura sedosa nunca igualada por qualquer outro. Um bouquet riquíssimo e extremamente potente de especiarias, café, canela, trufas, chocolate, cerejas e ameixas.

Por que o preço do Petrus é tão alto?

O Château Petrus se transformou em um ícone mundial. Nos leilões, seus preços atingem cifras astronômicas, encorajando as falsificações. Ano após ano, ele permanece na lista dos melhores do mundo, como confirma a lista dos vinhos mais caros de 2016 do site Wine Searcher.

A produção é considerada baixíssima; são produzidas apenas de 30 a 50 mil garrafas por ano. Cerca de 40% das garrafas ficam na França e o restante é “dividido” principalmente entre americanos, alemães, ingleses, e ultimamente, asiáticos. Com uma demanda muito acima da oferta, seus preços continuam a subir. Menos por vontade imperiosa dos donos e mais pelos investidores famintos por lucro.

Apesar do próprio enólogo da casa, Olivier Berrouet, destacar as safras de 1975, 1982, 1990 e 1995, todos sabem que independente do ano, um Château Petrus é sinônimo de excelência na elaboração de um vinho.

Vida longa ao Rei do Pomerol, pois seu reinado está longe de acabar.

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vinhos biodinamicos e vinhos organicos

A diferença entre vinhos orgânicos e biodinâmicos.

Os métodos usados na produção dos vinhos orgânicos são facilmente compreendidos. Têm suas raízes na agricultura menos invasiva, com restrições de agentes químicos. Porém, quando debatemos sobre os controversos vinhos biodinâmicos, as dúvidas e as certezas se confundem. Quais as diferenças? Vamos entender:

Vinho orgânico

Os pesticidas, como o enxofre, por exemplo, são usados há mais de 2.500 anos pelos Sumérios. Temos registros do uso de arsênio, chumbo e mercúrio, no século XV e sulfato de nicotina no século XVII. Sempre com o objetivo de acabar ou diminuir as pragas na agricultura.

Com a industrialização e os avanços científicos posteriores, eles invadiram as plantações e a partir de 1950 se tornaram protagonistas na produção em massa de alimentos.

Dito isso, lembramos que a partir das décadas de 1960 e 1970 houve um movimento – não apenas dos hippies – de retorno para um estilo de vida mais natural, que pregava, entre outras coisas, a proibição de qualquer intervenção química na agricultura. Foi nessa época que os vinhos orgânicos começaram a ser produzidos, intencionalmente, sem o uso de herbicidas sintéticos, pesticidas, fungicidas e fertilizantes.

Os preceitos da filosofia orgânica também defendem a proibição de qualquer tipo de organismo geneticamente modificado, inclusive uvas.

As regulamentações governamentais sobre a viticultura orgânica não são fáceis de serem implantadas. Contudo, a defesa dos orgânicos cresce a cada dia. Isso fez surgir inúmeras certificações “verdes”, chanceladas por organizações privadas ou órgãos públicos.

Na Europa, o que conta num rótulo de vinho é o selo da União Europeia, criado em 1 de julho de 2010 para regulamentar os produtores orgânicos e agroecológicos, também chamados de produtores biológicos.

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Selo de Certificação de um produto orgânico na União Europeia.

É importante ressaltar que um produtor pode ter as uvas cultivadas organicamente e certificadas, mas nem por isso o produto terá o selo de biológico (orgânico) no vinho. Para que uma vinícola possa inserir esse selo em seus rótulos, ela precisa cumprir uma série de rígidos processos, como limites na adição de sulfito e dióxido de enxofre. Com isso, o que encontramos na prática são muitos produtores que exibem o termo “produzido a partir de uvas cultivadas organicamente”, mas que não podem utilizar o selo por não cumprir as demais exigências.

Tudo isso significa que não existe uma regulamentação mundial sobre os processos a serem usados, mas nota-se um movimento de convergência entre as instituições envolvidas em promover a cultura dos produtos orgânicos.

Vinho biodinâmico

Os defensores dos vinhos biodinâmicos dizem que são estes que melhor expressam o verdadeiro terroir porque são elaborados de forma holística. O objetivo, antes de tudo, é ter o solo rico em nutrientes e um ecossistema equilibrado. Ou seja, buscam elaborar o vinho usando apenas os recursos naturais do próprio local.

A palavra biodinâmica significa bio (vida) e dinâmica (energia). Seus adeptos possuem uma visão de que tudo está interligado e há uma troca de energia de cada elemento na Terra (o que, de certa forma, a ciência não nega). Porém, para os vitivinicultores biodinâmicos é necessário seguir à risca o conceito de integração e não somente abolir os fertilizantes e pesticidas. Seus vinhedos são cultivados de acordo com calendários lunares utilizando adubos orgânicos e além de incentivarem a biodiversidade local, aplicam fielmente as controversas preparações biodinâmicas.

As ideias de uma agricultura biodinâmica foram proferidas pela primeira vez em 1924 pelo filósofo alemão Rudolf Steiner. Anos mais tarde, em 1932, foi fundada na Alemanha a organização Demeter (deusa da terra para os gregos), a fim de difundir o conceito de agricultura biodinâmica. O conceito de plantações auto-suficientes, aos poucos, foi se espalhando mundo afora e hoje está presente em muitos países, inclusive no Brasil através do IBD Certificações.

Na França, algumas célebres vinícolas vêm aderindo à filosofia biodinâmica como a Domaine Leroy, na Borgonha e o Château de la Roche aux Moines, no Loire.

As preparações biodinâmicas

Os preceitos biodinâmicos englobam instruções como calendários lunares e estelares, adubos orgânicos enterrados em chifres de boi, etc. São essas técnicas que geram as principais críticas.

Porém, segundo o IBD, para se obter a certificação para um vinho biodinâmico, basta cumprir as seguintes diretrizes:

  • Considerar a fazenda – e não somente as vinhas – como uma individualidade integrada;
  • Usar técnicas de conservação de solo;
  • Não utilizar de fertilizantes químicos e agrotóxicos sintéticos. O controle deve ser feito apenas com produtos naturais;
  • Defender e conservar a natureza local;
  • Tratar o solo com os preparados biodinâmicos que visam dar vitalidade para as vinhas e outras plantas que compõem o ecossistema;
  • Não fazer uso de produtos transgênicos;
  • Buscar os benefícios sociais da produção.

Conclusão

Mesmo que haja debates acalorados sobre os vinhos orgânicos e biodinâmicos, em um ponto todos concordam: é importante a humanidade encontrar maneiras sustentáveis de produzir seus alimentos. O vinho está entre nós há milênios e ouvir o que os vitivinicultores têm a dizer é fundamental. Até o momento, seus depoimentos são otimistas. Seus vinhos se mostram de alta qualidade e com aromas de frutas evidentes que traduzem um legítimo terroir. Pois bem, munidos de nossas taças, vamos segui-los de perto!

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