vinhos biodinamicos e vinhos organicos

A diferença entre vinhos orgânicos e biodinâmicos.

Os métodos usados na produção dos vinhos orgânicos são facilmente compreendidos. Têm suas raízes na agricultura menos invasiva, com restrições de agentes químicos. Porém, quando debatemos sobre os controversos vinhos biodinâmicos, as dúvidas e as certezas se confundem. Quais as diferenças? Vamos entender:

Vinho orgânico

Os pesticidas, como o enxofre, por exemplo, são usados há mais de 2.500 anos pelos Sumérios. Temos registros do uso de arsênio, chumbo e mercúrio, no século XV e sulfato de nicotina no século XVII. Sempre com o objetivo de acabar ou diminuir as pragas na agricultura.

Com a industrialização e os avanços científicos posteriores, eles invadiram as plantações e a partir de 1950 se tornaram protagonistas na produção em massa de alimentos.

Dito isso, lembramos que a partir das décadas de 1960 e 1970 houve um movimento – não apenas dos hippies – de retorno para um estilo de vida mais natural, que pregava, entre outras coisas, a proibição de qualquer intervenção química na agricultura. Foi nessa época que os vinhos orgânicos começaram a ser produzidos, intencionalmente, sem o uso de herbicidas sintéticos, pesticidas, fungicidas e fertilizantes.

Os preceitos da filosofia orgânica também defendem a proibição de qualquer tipo de organismo geneticamente modificado, inclusive uvas.

As regulamentações governamentais sobre a viticultura orgânica não são fáceis de serem implantadas. Contudo, a defesa dos orgânicos cresce a cada dia. Isso fez surgir inúmeras certificações “verdes”, chanceladas por organizações privadas ou órgãos públicos.

Na Europa, o que conta num rótulo de vinho é o selo da União Europeia, criado em 1 de julho de 2010 para regulamentar os produtores orgânicos e agroecológicos, também chamados de produtores biológicos.

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Selo de Certificação de um produto orgânico na União Europeia.

É importante ressaltar que um produtor pode ter as uvas cultivadas organicamente e certificadas, mas nem por isso o produto terá o selo de biológico (orgânico) no vinho. Para que uma vinícola possa inserir esse selo em seus rótulos, ela precisa cumprir uma série de rígidos processos, como limites na adição de sulfito e dióxido de enxofre. Com isso, o que encontramos na prática são muitos produtores que exibem o termo “produzido a partir de uvas cultivadas organicamente”, mas que não podem utilizar o selo por não cumprir as demais exigências.

Tudo isso significa que não existe uma regulamentação mundial sobre os processos a serem usados, mas nota-se um movimento de convergência entre as instituições envolvidas em promover a cultura dos produtos orgânicos.

Vinho biodinâmico

Os defensores dos vinhos biodinâmicos dizem que são estes que melhor expressam o verdadeiro terroir porque são elaborados de forma holística. O objetivo, antes de tudo, é ter o solo rico em nutrientes e um ecossistema equilibrado. Ou seja, buscam elaborar o vinho usando apenas os recursos naturais do próprio local.

A palavra biodinâmica significa bio (vida) e dinâmica (energia). Seus adeptos possuem uma visão de que tudo está interligado e há uma troca de energia de cada elemento na Terra (o que, de certa forma, a ciência não nega). Porém, para os vitivinicultores biodinâmicos é necessário seguir à risca o conceito de integração e não somente abolir os fertilizantes e pesticidas. Seus vinhedos são cultivados de acordo com calendários lunares utilizando adubos orgânicos e além de incentivarem a biodiversidade local, aplicam fielmente as controversas preparações biodinâmicas.

As ideias de uma agricultura biodinâmica foram proferidas pela primeira vez em 1924 pelo filósofo alemão Rudolf Steiner. Anos mais tarde, em 1932, foi fundada na Alemanha a organização Demeter (deusa da terra para os gregos), a fim de difundir o conceito de agricultura biodinâmica. O conceito de plantações auto-suficientes, aos poucos, foi se espalhando mundo afora e hoje está presente em muitos países, inclusive no Brasil através do IBD Certificações.

Na França, algumas célebres vinícolas vêm aderindo à filosofia biodinâmica como a Domaine Leroy, na Borgonha e o Château de la Roche aux Moines, no Loire.

As preparações biodinâmicas

Os preceitos biodinâmicos englobam instruções como calendários lunares e estelares, adubos orgânicos enterrados em chifres de boi, etc. São essas técnicas que geram as principais críticas.

Porém, segundo o IBD, para se obter a certificação para um vinho biodinâmico, basta cumprir as seguintes diretrizes:

  • Considerar a fazenda – e não somente as vinhas – como uma individualidade integrada;
  • Usar técnicas de conservação de solo;
  • Não utilizar de fertilizantes químicos e agrotóxicos sintéticos. O controle deve ser feito apenas com produtos naturais;
  • Defender e conservar a natureza local;
  • Tratar o solo com os preparados biodinâmicos que visam dar vitalidade para as vinhas e outras plantas que compõem o ecossistema;
  • Não fazer uso de produtos transgênicos;
  • Buscar os benefícios sociais da produção.

Conclusão

Mesmo que haja debates acalorados sobre os vinhos orgânicos e biodinâmicos, em um ponto todos concordam: é importante a humanidade encontrar maneiras sustentáveis de produzir seus alimentos. O vinho está entre nós há milênios e ouvir o que os vitivinicultores têm a dizer é fundamental. Até o momento, seus depoimentos são otimistas. Seus vinhos se mostram de alta qualidade e com aromas de frutas evidentes que traduzem um legítimo terroir. Pois bem, munidos de nossas taças, vamos segui-los de perto!

Equipe VinumDay • um vinho para cada dia

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Um comentário em “A diferença entre vinhos orgânicos e biodinâmicos.

  1. Eu penso que a vitivinicultura brasileira deve buscar este diferencial dos vinhos orgânicos e biodinamicos. Isso agrega valor ! 🍷🍷🍷. Parabéns pelas dicas..

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