beneficios do vinho tinto

Afinal, os benefícios do vinho estão comprovados?

Não bebemos vinho somente porque ele traz benefícios à saúde. O vinho abrange muitas outras coisas. Contudo, vamos fazer uma reflexão a respeito desse seu aspecto louvável.

Pela ótica medicinal, os benefícios do vinho são conhecidos desde os tempos remotos. Na Grécia antiga era adicionado na água para matar bactérias ou para que ficasse mais higiênica. Historicamente, o saneamento básico era muito pior do que hoje, sendo a água o principal meio de contaminação de diversas doenças. O que levou Louis Pasteur, inventor da microbiologia moderna, a afirmar que o vinho era “a mais higiênica de todas as bebidas”.

É sabido que desde o começo de 1800 até a Segunda Grande Guerra, nos anos de 1940, especialistas em saúde recomendavam matar a sede com a mistura de água e vinho. Já nos anos de 1980, com o famoso estudo do Paradoxo Francês, vimos o hábito de tomar vinho de outra maneira, pois as comprovações científicas começaram a aparecer de forma mais consistente.

Recentemente foi publicado na revista Science o estudo feito pela cientista holandesa Alexandra Zhernakova. Nele foi demonstrado que o consumo do vinho influencia na composição das bactérias intestinais, e uma delas, teria efeito anti-inflamatório para o sistema digestivo. O que poderia ajudar no combate às doenças do intestino, por exemplo.

Em 2012 o estudo do cientista americano Neil Shay observou que um ácido presente nos vinhos – ácido elágico – ajuda a reduzir a gordura no fígado. Agora a curiosidade: somente os vinhos que passaram por maturação em barricas apresentam o tal ácido. É o carvalho que transfere essa substância para o vinho, e quanto mais tempo de envelhecimento, maior a quantidade de ácido.

Nossa fisiologia muda de pessoa a pessoa e como não há uma regra geral, serão necessários muitos estudos pela frente. O que sabemos hoje, com mais clareza, é que o vinho possui um poderoso antioxidante, colabora na digestão (como todo alimento fermentado) e tem álcool. Como toda bebida alcoólica, seu consumo é polêmico. Estudos relacionam um consumo moderado com benefícios para a saúde, enquanto outros (também científicos) são muito mais relutantes à essa afirmação.  O que nos força a dizer que, em se tratando de álcool, a quantidade é que faz a diferença.

paradoxo frances vinho e coração

Paradoxo Francês: vinho e coração

A expressão Paradoxo Francês apareceu pela primeira vez na publicação da Organização Internacional do Vinho e da Vinha em 1986. Três anos mais tarde, foi publicado o livro The french paradox antioxidants do professor George Riley baseado nos estudos do médico cientista francês Serge Renaud. Em 1991, ele próprio apresentou suas conclusões no programa 60 Minutes da TV americana. Nos anos seguintes, o consumo do vinho nos EUA cresceu vertiginosamente.

O paradoxo vem da constatação de que, mesmo com uma dieta rica em gorduras como queijos e outros alimentos, a população francesa apresentava (naquela época) um nível de colesterol abaixo de muitos outros países que consumiam menos gorduras. Ficou a dúvida: ou a gordura não é um fator tão preponderante nos altos índices de colesterol, ou havia algo a mais na dieta francesa que pudesse inibir sua ação.

Esse algo foi identificado como sendo o vinho. Desde então, cientistas do mundo todo procuram esclarecer a hipótese. As conclusões não são definitivas, mas nos levam a crer que sim, os benefícios do consumo do vinho existem.

A mais evidente é a sua influência na prevenção das doenças cardiovasculares. O vinho tem ação antiplaquetária, ou seja, inibe as placas de gordura que entopem as veias do coração.

Outros estudos ligaram o hábito moderado de consumo do vinho ao combate a vários tipos câncer, como o de próstata, ovário, pulmão etc. Porém esses estudos ainda são inconclusivos.

Antioxidantes no vinho

Esse é o mais celebrado benefício do vinho: combater a oxidação (envelhecimento) das células. A oxidação é natural e libera radicais livres, que numa reação em cadeia podem matá-las. A própria oxidação controla esse estrago através dos antioxidantes, como os polifenóis. Esses compostos estão presentes em muitos alimentos como o suco de uva, e principalmente nos vinhos tintos. Dentre eles, o resveratrol é o destaque, pois ajuda a controlar o colesterol ruim. Dados clínicos em humanos vêm ao longo das últimas duas décadas comprovando os estudos de laboratório.

Realmente os vinhos mais escuros e que passaram por carvalho possuem mais antioxidantes. Mas e os vinhos brancos? Há poucos estudos sobre eles ainda, mas um contraponto ocorreu em 2006, com uma pesquisa da Escola de Medicina de Connecticut (EUA), que concluiu que as substâncias benéficas viriam da polpa da uva – os vinhos brancos são feitos somente com a polpa – e não apenas das cascas, que dão cor aos vinhos.

Outros dados científicos apontam a atuação dos compostos fenólicos na prevenção de algumas doenças neurodegenerativas, entre elas o Mal de Alzheimer.

É importante ressaltar que os maiores benefícios do vinho são notados quando as pessoas estudadas também possuem uma alimentação saudável. Ou seja, o potencial benéfico da bebida anda junto com outros hábitos saudáveis que já são conhecidos por todos.

Conclusão: beber moderadamente, mas quanto?

Como não somos clones uns dos outros, a relação de álcool e organismo varia. O álcool estimula os neurotransmissores, liberando serotonina e dopamina, causando euforia, bem-estar e está associado aos sentimentos de prazer. Seu uso social está presente desde os primórdios da civilização. Não é nosso objetivo aqui, abrir um debate amplo e importante sobre o consumo de álcool. Mas é interessante notar que os excessos são prejudiciais em quase tudo na vida. Porém, isso não anula os benefícios do vinho quando consumido de forma moderada.

Buscar o bem-estar e curtir as coisas boas da vida é uma decisão racional e pessoal. Atividade física e um consumo moderado do vinho é o maior teste para aprender a equilibrar os hábitos. Apreciar o vinho e receber seus benefícios faz parte de um estilo de vida saudável. Ficamos com a máxima de que “a dose é o que diferencia o remédio do veneno”.

Ah…se você quiser uma definição para moderado, talvez deva seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

  • Mulheres: até 2 doses/dia – equivalente a 240 ml;
  • Homens: até 3 doses/dia – equivalente a 360 ml.

O que acha?

Até breve!

Equipe VinumDay • um vinho para cada dia

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