vinho varietal e vinho assemblage blend

Definição: vinho varietal e vinho assemblage.

Varietal e Assemblage são duas palavras com as quais os enófilos iniciantes logo se deparam. Elas servem para sinalizar o método de elaboração do vinho. Algumas pessoas procuram defender a superioridade de um tipo em relação ao outro; o que é desnecessário, porque ainda ninguém descobriu, com plena certeza, os segredos dos bons vinhos. A prova final é sempre na taça. Portanto, vamos ver o significado de cada um desses termos e conhecer alguns varietaisassemblages famosos.

Vinho Varietal e Monovarietal

Vinho varietal é aquele elaborado predominantemente com uma casta. Isso quer dizer que na sua composição uma uva deve prevalecer. A quantidade dessa casta varia de acordo com as regras de cada país. No Brasil e Chile, para que um vinho seja rotulado como varietal, ele deve ter em sua composição pelo menos 75% de uma determinada casta. Na União Europeia e em grande parte dos outros países, essa porcentagem é de 85%. Exemplo: um vinho varietal Cabernet Sauvignon pode ser elaborado com 85% dessa casta e os outros 15% por outra, como Merlot.

Se um vinho for elaborado 100% por uma casta, então ele será denominado monovarietal ou monocasta.

Alguns países europeus, como a Alemanha, há décadas costumavam colocar nos rótulos dos vinhos o tipo da uva, mas a prática ganhou força nos países do chamado Novo Mundo (EUA, Austrália, Chile, Argentina, África do Sul, Nova Zelândia, etc). Essa história começou quando o pesquisador e professor americano, Maynard Amerine, em meados dos anos de 1940 lançou uma série de estudos sobre as regiões produtivas na Califórnia e sugeriu o plantio de novas cepas, com objetivo de melhorar a qualidade do vinho americano. Para se diferenciar dos tradicionais vinhos europeus, que evidenciavam a região de origem, as vinícolas colocavam os nomes das uvas em seus rótulos.

Nos anos 1970, com a popularidade crescente dos vinhos californianos, o termo varietal ganhou o mundo principalmente com os artigos do influente jornalista Frank Musselman Schoonmaker, da revista New Yorker.

Varietais famosos

  • Borgonha, França – a região é palco de varietais célebres, tanto tintos (sempre com Pinot Noir), quanto brancos (sempre com Chardonnay). Alguns exemplos famosos são Romanée-Conti e Leflaive.
  • Val de Loire, França – aqui também temos tanto grandes brancos – Sauvignon Blanc de Poully-Fumé e Sancerre, Chenin de Vouvray – quanto tintos (como os Cabernet Franc de Chinon).
  • Piemonte, Itália – os maiores clássicos da região (Barolo e Barbaresco) são elaborados 100% a partir da Nebbiolo.
  • Montalcino, Itália – a pequena comuna dentro da Toscana é onde são produzidos os famigerados Brunellos, sempre exclusivamente a partir de Sangiovese Grosso.
  • Barossa Valley, Austrália – a região é responsável por alguns dos melhores Shiraz do novo mundo.
  • Mendoza, Argentina – embora a região também produza ótimos assemblages e varietais de outras castas, é inegável que sua rainha é a Malbec.

Vinho Assemblage

Assemblage em francês, blend em inglês, taglio em italiano ou corte em português, são sinônimos que significam uma mistura. A palavra é muito usada nas artes plásticas quando o artista produz uma colagem de vários tipos de materiais numa obra. No universo do vinho o objetivo é o mesmo. Nesse caso, o artista é o enólogo e os materiais são os vinhedos e os processos de vinificação.

Os vinhos são elaborados contendo uma variedade de castas sem a predominância de alguma delas, mas sim com o objetivo de se obter um resultado agradável e prazeroso. É como se fosse a paleta de cores do artista. Por exemplo: controlar o a estrutura da Cabernet Sauvignon com um toque de Merlot, dando suavidade, ou adicionando um leve sabor apimentado da Petit Verdot.

Na elaboração dos vinhos assemblage, os enólogos procuram mesclar novos sabores e moldar um vinho melhor do que se ele fosse feito com uma única casta. A ideia é usar as qualidades particulares de cada cepa – que variam de acordo com a safra – e compor aromas e sabores mais ricos, equilibrados e que tenham o potencial de evoluir.

vinhos assemblages famosos
Blends famosos de vinhos. Fonte: Winefolly

A Tannat, por exemplo, pode ser usada para acrescentar estrutura, enquanto uma variedade que possua mais taninos evidentes pode contribuir para um melhor envelhecimento nas barricas de carvalho. As possibilidades são muitas se forem considerados todos os processos durante a vinificação.

Normalmente, após a vindima (colheita das uvas), ocorre uma classificação e separação dos frutos. É feita a fermentação alcoólica onde os vinhos base são produzidos em tanques separados. Em seguida, são feitas várias análises sobre sua acidez, corpo, taninos, etc. No final, é decidido a porcentagem de cada um deles na mistura que resultará o vinho final.

Nesse ponto é que entra toda a arte e conhecimento do enólogo e estilo de cada produtor. O que queremos alcançar com esse vinho? Qual o potencial de evolução na madeira? Que sabores são mais interessantes e como fazer com que eles permaneçam no final? E daí por adiante…

Essa é a forma tradicional de vinificação europeia. Os vinhos franceses possuem grande prestígio porque elaboram assemblages há séculos. Esse conhecimento construído de ciência e arte é a marca registrada dos vinhos do velho mundo. Por isso mesmo, esses países procuram defender a ideia de terroir, que significa uma visão ampla sobre o processo de produção.

Muitos podem se perguntar: mas se um assemblage tem como objetivo melhorar o vinho, seriam os blends melhores do que os varietais? Não, não é bem assim. Elaborar vinhos não é uma ciência exata, ainda que as técnicas científicas sejam grandes aliadas dos produtores. Lembramos que o prazer em degustar um bom vinho está intimamente ligado ao histórico pessoal, como vimos na matéria sobre memória olfativa.

Um exemplo da amplitude de um assemblage são os vinhos de Châteauneuf-du-Pape, na França, onde são utilizados até 13 variedades de uvas: Grenache, Mourvèdre, Syrah, Cinsault, Muscardin, Counoise, Clairette, Bourboulenc, Roussanne, Picpoul, Picardan, Vaccarèse e Terret Noir.

Assemblages famosos

  • Bordeaux, França – o célebre corte bordalês é feito sempre com uma base de Cabernet Sauvignon que muitas vezes recebe a presença ilustre da Merlot. É possível também o uso de outras castas como Cabernet Franc , Malbec, Petit Verdot e até Carménère.
  • Champagne, França – o espumante mais conhecido do mundo é um blend de castas como Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier.
  • Veneto, Itália – É nessa região que surge o famoso Amarone Della Valpolicella, corte tradicional elaborado com uma mescla entre Corvina, Molinara e Rondinella.
  • Priorat, Espanha – assemblage de Garnacha, juntamente com Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon.
  • Porto, Portugal – esse vinho único pode ser elaborado com várias castas nativas, mas a mistura mais popular é Touriga Franca e Tinta Barroca.

Conclusão

Muitas das vinícolas que pensam o vinho como uma arte, usar o método assemblage pode significar um estilo que terá a assinatura do enólogo.

O que sempre defendemos aqui no blog é que a experiência prática e a constante procura por novos sabores são a chave para aproveitar todo o prazer de se beber vinho, independente se for vinho varietal ou assemblage.

Equipe VinumDay • um vinho para cada dia

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