memória olfativa para vinhos

Sua memória olfativa para vinhos pode (e deve) ser treinada.

Os aromas existentes são inúmeros e muitos são difíceis de serem avaliados. Eles são gravados em nossa memória olfativa e todas as pessoas estão aptas a desenvolvê-la. Somente a prática direcionada pode aumentar a capacidade de nosso olfato, portanto não existem atalhos. Mas quais os benefícios?

Benefícios da memória olfativa

As crianças têm uma necessidade de descobrir o mundo ao redor e fazem isso com uma empolgação que dão inveja nos adultos. Para elas, o mundo existe com a finalidade de diverti-las.

Quando falamos em desenvolver a memória olfativa, devemos ser como as crianças. Tem que ser divertido como as brincadeiras infantis. Mas assim como as crianças levam suas brincadeiras muito a sério, o desenvolvimento da memória olfativa deve ser encarado com dedicação e comprometimento.

O maior benefício que o desenvolvimento dos sentidos nos traz é a mudança de nossa visão de mundo. Tudo fica muito mais interessante.

Apesar do olfato ainda ser um mistério para a ciência, quem quiser participar do banquete de aromas precisa entender a biologia por trás da memória olfativa.

sistema-olfativo-humano

O que é memória olfativa?

Estudos teóricos da década de 1920 sugeriam que os humanos conseguiam captar até 10.000 aromas diferentes. Seria um fraco desempenho se comparado com outros animais (como cães, que possuem um faro dezenas de vezes melhor que o nosso). Desconfiados, pesquisadores da Universidade de Rockefeller (USA) decidiram investigar através de estudos mais concretos e a surpresa foi geral. Concluíram que somos muito, mas muito mais capazes de identificar cheiros do que imaginávamos. A revista Nature publicou o resultado da pesquisa em 2014.

O fato de possuirmos um mecanismo natural de identificação de aromas não quer dizer necessariamente que o usamos a plena capacidade. Para tal façanha, é necessário transformar um odor em dados resgatáveis, ou seja, os aromas têm que ser gravados em nossos cérebros como memória.

Primeiramente, é necessário que as moléculas sejam voláteis e se desprendam no ar. Sua quantidade tem que ser suficiente para que nossas células olfativas, que ficam atrás da cavidade nasal consigam detectar. Essa informação vai para o sistema límbico, onde será gravada na memória.

Cientistas acreditam que possuímos uma memória semântica e outra episódica. A memória semântica diz respeito aos significados das coisas. Aprendemos que limão é limão porque associamos desde a infância que, aquilo que vemos no formato de limão, com o cheiro de limão, tem esse nome. Já a memória episódica está relacionada com acontecimentos que vivenciamos, e isso passa a ser muito pessoal. São nossas memórias propriamente ditas.

Sabe-se também que naturalmente temos uma perda da capacidade do olfato ao longo de nossas vidas. O bom é que essa perda é de menor intensidade quando se tem uma memória olfativa mais apurada, ou melhor dizendo: treinada. Assim, como os músculos e o cérebro, quanto mais exigida, melhor será nossa experiência sensorial pelo resto da vida.

Memorizando os aromas do vinho

Ao ouvir as descrições de um degustador profissional, muitos leigos se assustam com as expressões usadas. É preciso saber que a descrição de aromas e sua classificação tem como objetivo colocar uma “etiqueta” para facilitar a comunicação. Falamos de “caramelo” porque se falássemos do aldeído 2-furfural – molécula que dá o aroma de caramelo –  ninguém entenderia.

São as analogias com experiências comuns, as únicas formas de entendermos quais aromas o outro está sentindo.

Os vinhos de maior complexidade possuem muitas notas prazerosas para o olfato, mas só serão reconhecidas se estiverem na memória do degustador. Só identificamos algo quando o conhecemos.

Para um aprimoramento desse extraordinário aparelho humano precisamos praticar. No começo nem precisa ser com o vinho. Comece prestando atenção nos cheiros e odores que o cercam. Esse exercício costuma ser divertido, porém não basta. Tente visualizar uma imagem para o cheiro. Se for rosa, por exemplo, visualize-a aumentando de tamanho e tente manipulá-la mentalmente associada com seu aroma. Maior e intensa ou menor e mais sutil, etc.

Quando se tratar de uma degustação, procure expressar verbalmente e se possível escreva; isso ajuda muito na memorização.

Se preferir, um desses kits (de boa qualidade) com os principais aromas pode ajudar.

kit para aromas do vinho

Conclusão

Desenvolver uma memória olfativa não é vital para vivermos felizes e saborearmos socialmente um vinho. Não é essa a questão. Qualquer pessoa pode colocar suas energias e paixões naquilo que preferir. Experimentar novas sensações, portanto novos rótulos de vinho, é uma forma de ampliarmos nossos sentidos. Demanda concentração, mas é divertido e enriquece nossa experiência de vida de uma forma que não tem volta.

Equipe VinumDay • um vinho para cada dia

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3 comentários em “Sua memória olfativa para vinhos pode (e deve) ser treinada.

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